8.2.18

A vida tem sempre razão

A vida tem razão
Quando me lança para fora de mim
E transborda borboletas que eu não vira
A vida tem razão
De me acordar às 5 da manhã
Para que eu veja o sol surgir no céu
A vida tem razão
Quando me acorda, 
De surpresa,
Um ponto antes do ponto que desço, na volta ao lar
A vida tem razão
De não me explicar nada do que vai se sucedendo nos meus dias
Eu não suportaria saber o quanto sei pouco de mim
E quando se encontra comigo,
Enquanto cruzo a esquina,
A vida tem razão outra vez
De não me explicar
De que modo ela sabia que eu estaria lá,
Sem nenhuma expectativa, sem crença, sem moradia
Em que coubesse todo amor que eu guardei
A vida tem razão
Em não me contar o que eu faço com meu peito
E com as pessoas ausentes que guardo dentro dele
A vida tem razão
Em me esconder o jogo, porque, sabe, a vida
Que eu sou ainda uma péssima jogadora
A vida tem razão
Em não me revelar a última página de minha vida
Nem quem vem amanhã
E quem nunca mais voltará
A vida tem razão
De fazer segredo dos meus verdadeiros sonhos,
Pois que eu nem sonhar direito sei ainda
Peço o que é pequeno,
Espero por quem já vem,
Tenho tanto medo
E desespero
Que a vida tem toda razão em só ter
Razões do além

Bagagem

Você ficará com as águas da cachoeira e as paisagens do livro que nunca leu. E as palavras, todas, que estão na primeira página e que eu escrevi na estrada para lhe encontrar. Todas elas compõem o que não fomos.

Na caixa estão as minhas dores separadas por lágrimas de ausências, excessos de ciúme, falta de dinheiro para passagens, silêncios.

Talvez, agora, eu não queira voltar mais para a prisão da sua espera. Eu quero amar a verdade. Com todas as suas gotas de dores e faíscas de vida.

Não precisa devolver o amor próprio que lhe emprestei. Ainda resta um pouco dele aqui.