1.4.15

Aos foras do tempo

O malandro perdido no beco sem saída entre os olhos castanhos da sua vítima.
O jornalista de oposição ao sistema midiático oposto ao governo.
O homem que leva charutos para um primeiro encontro.
A menina que desenha cartoon na aula de Matemática.
A esposa que pede pizza no meio da semana e fica solteira nas noites de sábado.
O vizinho que queria ser vizinho da namorada do seu primo antes que este tivesse tido essa ideia.
A feirante que não grita, mas pisca os olhos pra moça bonita, e que lhe encara com "O que é que tem?"
O motorista que lê Neruda no farol fechado.
A irmã caçula de vinte anos apaixonada por mais vinte pelo seu ex-namorado.
O anarquista que tem medo do escuro.
O moço que gritou "Fica, Dilma!" num 15 de março.
O borracheiro que não  consegue apagar do seu carro o seu passado com Matilde.
A socióloga que assiste a novelas por força do estudo e da desilusão.
A senhora que lembrou o futuro quando teve alzheimer e esqueceu Alceu.
O pianista que tocou os pés da dama de copas para ver se a vida era de papel.
O biólogo que entrou pela porta errada e nunca mais amou.
A estudante que escutou Maria Bethânia recitar "Cântico Negro" e virou estátua por duas semanas.
A criança que caiu na lama e descobriu o esconderijo do riso.

Às pessoas que escandalizam a garganta dos mudos,
Um salve!

2 comentários:

aninhapaulino disse...

adorei... bjos fer http://anaherminiapaulino.blog.uol.com.br/

! Marcelo Cândido ! disse...

Salve a todos nesse país de loucos!