22.2.14

Trecho da estrada mar-terra

A gente se torna navegador.
Sobe no cavalo e parte.
De um dado a um fato: um filho.
Sobre os lados: a vida tem dois.
O verso e o inverso.
Verseja o último no inverno.
Escorrega o primeiro na primavera.

Tem dia que é de tamborim.
Também dói o sim quando demora.
Amor não pede favor, acontece assim
como chuva e vento e gênio ruim.
A gente nasce chovendo,
Cresce ventando,
E o nó da garganta é na verdade um laço.

A televisão serve para bem pouco drama.
As tramas e os segredos, todos, estão na trança da menina no jardim que dança.
Os poetas falsificam o amor.
Mal não deve fazer.
Tem mais gente no mundo para doer que para amar.
Mesmo sendo de mar o caminho, a gente pega a estrada de terra. E cavalga.


Um comentário:

! Marcelo Cândido ! disse...

Tu escreves muito, moça,
Parabéns!

Marcelo
http://palavrinhasmarcelo.blogspot.com.br/